Manejar pragas da cana-de-açúcar é, sem dúvidas, uma das etapas de maior importância para uma produção bem-sucedida. O manejo inadequado diminui a produção de açúcar e etanol e, consequentemente, a rentabilidade das usinas que atuam no setor.

A cana-de-açúcar é uma das principais culturas produzidas no Brasil, com produção estimada na safra 2019/2020 em 622,3 milhões de toneladas. A partir desse montante, serão produzidos 30,3 bilhões de litros de etanol e 31,8 milhões de toneladas de açúcar – dados estimados pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).

Os números a cima já expressam, por si só, a importância de inovações sustentáveis e rentáveis no manejo de pragas do setor sucroenergético. Por isso a Pragas.com preparou esse artigo: para mostrar quais são as alternativas biológicas de manejo das principais pragas da cana-de-açúcar.

 

Pragas da cana-de-açúcar

 

Entre as pragas da cultura da cana, a broca-da-cana e o bicudo-da-cana (ou gorgulho-da-cana) são pragas muito importantes, capazes de causar prejuízos milionários para os produtores.

Uma pequena infestação de 1% da broca-da-cana pode gerar uma perda equivalente de 35 quilos de açúcar e 30 litros de álcool por hectare. O bicudo-da-cana, por outro lado, reduz o stand de plantas e causa prejuízos de até 30 toneladas de cana/ha/ano.

 

Broca da cana – Diatrea sacchralis

 

A broca-da-cana é a principal praga da cultura. Como sabemos, o dano causado pode ser gigantesco. Em fase adulta, a broca é uma mariposa, mas na sua fase lagarta é que ocorrem os principais danos na cultura.

 

Figura 1. Broca da cana – Diatrea sacchralis. Foto: Pragas.com

Os ovos da broca-da-cana são geralmente colocados na face superior da folha, de forma agrupada, parecendo escamas de peixe. Logo que os ovos eclodem as lagartas se alimentam das folhas e se escondem na nervura central. A partir daí elas começam a fazer galerias e passam a migrar para o colmo da cana-de-açúcar. Nesse estágio da infestação, produtos químicos não conseguem mais manejar a população do inseto.

 

O ataque desse inseto ocorre da seguinte forma:

 

A lagarta inicialmente se alimenta das folhas da planta. Depois, ela penetra pelas partes mais macias do colmo, principalmente a bainha. Assim que entra no colmo a lagarta faz galerias por toda a planta. Essas galerias danificam o colmo da cana-de-açúcar além de impedir a passagem de água e nutrientes para toda a planta.

O ciclo de vida da broca-da-cana varia de 53 a 60 dias. Em um ano, pode haver até 4 gerações da praga

Os principais danos causados pela broca-da-cana são: 

  • perda de massa e morte das gemas;
  • tombamento das plantas pelo vento;
  • seca dos ponteiros, conhecido como coração morto, na cana nova;
  • enraizamento aéreo;
  • brotações laterais.

Além desses danos, a broca-da-cana deixa a entrada aberta para outras pragas e inclusive fungos. A incidência dos fungos Fusarium sp. e Coletotrichum sp., por exemplo, causam danos indiretos nas plantas, como a podridão vermelha nos colmos afetados.

 

Controle biológico da broca-da-cana com Cotesia flavipes

 

Para um controle eficiente da broca-da-cana é primordial saber quando realizá-lo. Para isso, o monitoramento do canavial é essencial. Esse monitoramento pode ser feito com o uso de armadilhas, que permitem a contagem e a identificação das brocas.

Encontrar as brocas antes delas perfurarem o colmo é essencial para a redução das perdas de produtividade.

A amostragem deve ser feita em zig zag dentro do canavial. A partir desse trabalho podemos definir o método de controle do inseto.

 

Como utilizar a vespinha Cotesia flavipes?

 

O controle biológico da broca-da-cana com a vespinha parasitoide Cotesia flavipes é bastante difundido no mercado, por conta de sua eficiência.

A C. flavipes é um inseto que ataca as lagartas maiores que 1,5 cm. As vespinhas botam ovos no interior da lagarta. Quando os ovos eclodem as larvas da vespinha se alimentam do corpo da broca-da-cana, provocando sua morte. A quantidade de vespinhas por hectare utilizada no manejo vai depender do número de brocas que forem encontradas durante a amostragem.

Um exemplo de soltura de vespinhas é de 6000/ ha. Esse valor é calculado a partir de uma amostragem de 10 largartas/hora/operador, durante a realização do monitoramento.

Para auxiliar na tomada de decisão, confira a tabela de recomendação de liberação de vespinhas C. flavipes na cultura da cana-de-açúcar:

 

Bicudo-da-cana – Sphenophorus levis

 

Os canaviais da região Centro-Sul do Brasil têm sofrido bastante com o ataque do bicudo-da-cana. O adulto do bicudo-da-cana possui um comprimento entre 8 e 14 mm, tem pouca mobilidade e se finge de morto quando é atacado. O inseto tem coloração que varia do castanho-escuro ao marrom e algumas manchas pretas.

Figura 2. Bicudo-da-cana – Sphrnophorus levis. Foto: Pragas.com.

Cadastre-se e receba conteúdos exclusivos!

O ataque do bicudo-da-cana:

 

São as larvas do inseto que causam os maiores danos nas plantas. Elas atingem uma parte da raiz da cana danificando seu tecido e isso causa perdas na produção de sacarose e na longevidade do canavial. A alta incidência do bicudo-da-cana pode fazer com que o canavial não passe do segundo corte.

A longevidade dos adultos do bicudo-da-cana é de 249 dias para as fêmeas e 247 dias para os machos. A fase larval tem um período médio de 50 dias.

O ataque do bicudo-da-cana aparece com frequência em reboleiras no campo. Como os adultos são encontrados abaixo da superfície do solo, fica difícil o seu reconhecimento e controle.

Mesmo após a colheita, principalmente na colheita da cana crua, a palhada serve de abrigo para o bicudo-da-cana, que consegue se reproduzir e sobreviver no campo.

 

Controle biológico do bicudo-da-cana com o fungo Metarhizium anisopliae

 

O monitoramento também é essencial no controle do bicudo-da-cana. O método cultural, que consiste na destruição das soqueiras é bastante recomendado. No entanto, em situações de rebrota e onde as soqueiras não podem ser destruídas, o controle biológico é o mais eficiente.

 

Como utilizar o fungo Metarhizium anisopliae?

 

A utilização do fungo Metarhizium anisopliae em soqueiras de cana-de-açúcar para o controle das larvas do bicudo-da-cana tem se tornado cada vez mais comum, por conta dos resultados positivos no controle da praga.

O fungo é aplicado junto ao cortador da cana, e pode ser utilizado de forma líquida ou sólida.

Quando a colonização do M. anisopliae se inicia, a larva do bicudo-da-cana fica inquieta, se movimentando muito para se alimentar, e depois morre. Após a colonização total do fungo na larva da praga, os insetos ficam duros e uma massa de coloração cinza-esverdeada cobre todo o seu corpo.

Mas o fungo não combate apenas as larvas do bicudo-da-cana. Os adultos da praga também são controlados pelo Metarhizium, que coloniza o inseto e o leva a morte.

Para o controle biológico eficiente do bicudo-da-cana com fungo o Metarhizium anisopliae, são recomendadas duas doses para aplicação:

 

  • 205 g de conídios/ha na forma líquida;
  • 450 g de conídios/ha na forma granulada.

 

O efeito do produto na forma líquida é mais rápido, quando comparado ao efeito da forma granulada.

 

Quer saber mais sobre o uso de fungos no controle biológico de pragas da cana?

 

Entre em contato com um de nossos especialistas e receba nosso portfólio completo.
Ligue para (19) 3413-0026 | 98263-2021, ou escreva para contato@pragas.com.vc.

 

RECEBA NOSSOS INFORMATIVOS