Crédito: InsectImages.com

Neste artigo especial da série “Praga da Semana” vamos conhecer um pouco mais da Anticarsia gemmatalis (Lepidoptera: Noctuidae), conhecida como lagarta-da-soja, uma das pragas mais comuns da cultura.

Esta é uma espécie de ocorrência tropical e subtropical, que pode ser encontrada desde o sul dos Estados Unidos da América do Norte até a Argentina.  Na cultura da soja, na maioria das regiões brasileiras ela é considerada a principal praga e ocorre desde o período vegetativo até o final da floração. Devido a diferenças de temperatura e nutrição da praga, sua dinâmica populacional pode ser variável em diferentes regiões. Sua ocorrência costuma ser maior entre novembro e março, com pico populacional em janeiro nas áreas mais ao norte e em fevereiro em áreas mais ao sul. Além de soja, A. gemmatalis tem preferência por atacar outras leguminosas (como feijão, amendoim e ervilha), mas pode ser encontrada infestando também algodão, arroz, batata, brócolis, cana-de-açúcar, fumo, mandioca, maracujá, milho e seringueira.

Os adultos desta espécie são mariposas que medem de 30 a 38 mm de envergadura. Apresentam coloração que varia entre cinza, marrom e bege, mas que tem como característica uma linha transversal escura que cruza ambas as asas diagonalmente.

As fêmeas desta espécie costumam colocar os ovos de forma isolada na face inferior das folhas (por isso é mais fácil encontrar esta espécie em campo nestes locais), sendo que as posturas são maiores quando ocorre a diminuição da temperatura e aumento da umidade. Os ovos são esféricos, de aproximadamente 0,6 mm de diâmetro. Inicialmente apresentam a coloração verde-claros e com o passar do tempo tornam-se marrom avermelhado. Cerca de 3 a 5 dias depois ocorre a eclosão das lagartas.

Quando pequenas (até 1 cm), as lagartas podem ter coloração verde ou preta, com 4 pares de pernas abdominais, duas delas vestigiais, e mais um par terminal. Com isso, se locomovem medindo palmos e podem ser confundidas com lagartas pequenas da falsa-medideira (Chrysodexis includens).  Quando maiores que 1,5 cm, a coloração também pode ser tanto verde quanto preta, com 3 linhas longitudinais brancas no dorso. Em condições de altas infestações ou escassez de alimento, as lagartas tornam-se escuras.

Entram na fase de pupa no solo, numa profundidade de até 2 cm. A duração dessa fase varia conforme a temperatura, durando cerca de 9 a 11 dias.

Um comportamento característico desta espécie é de, quando perturbada, se jogar no solo.

Danos

O principal dano da lagarta-da-soja é a desfolha das plantas. Nos primeiros ínstares (lagartas até 10 mm) o consumo foliar é muito pequeno e feito por meio de raspagem do parênquima foliar (causando pequenas manchas claras). A partir do terceiro ínstar elas conseguem perfurar as folhas, sendo que do quarto ao sexto ínstar as pragas consomem, aproximadamente, 95% do total de consumo foliar. Por isso é importante controlar essa praga quando as lagartas ainda estão pequenas. Em altas populações elas podem provocar desfolhas nas plantas de mais de 30% da área foliar, em geral no terço superior das plantas, causando grandes perdas na lavoura.

Podem causar até 100% de desfolha se não controladas a tempo e se alimentar até mesmo de flores e vagens.

Controle

O monitoramento de lagartas de A. gemmatalis para avaliar a densidade populacional é fundamental para a proteção da lavoura e deve ser feito constantemente, por meio de amostragens. Esse procedimento auxilia o manejo integrado da praga, com técnicas de rotação de culturas, controle biológico ou controle químico.

Para o controle químico, deve-se iniciar quando forem encontradas aproximadamente 40 lagartas grandes (com 1,5 cm ou mais) por pano-de-batida em duas fileiras de plantas, ou em menor número se a desfolha atingir 30%, antes da floração, e 15% tão logo apareçam as primeiras flores.

O controle biológico com Baculovírus está sendo muito utilizado para o controle de A gemmatalis. No processo de infecção, após o Baculovírus ser ingerido pela lagarta-da-soja, a lagarta fica debilitada, perde a capacidade de alimentação e a mobilidade, vindo a morrer em torno do sétimo dia da aplicação do produto biológico e liberando mais vírus sobre as folhas, que servem de inóculo para contaminar novas lagartas.

Para utilizar o controle biológico, deve-se considerar as seguintes condições:

1- Período de estiagem ou plantas menores que 50 cm: Aplicação se encontradas no máximo 20 lagartas pequenas ou 15 lagartas pequenas e 5 grandes (maiores que 1 cm) por pano de batida em duas fileiras de plantas com 1 metro de comprimento

2- Chuva normal ou plantas maiores que 50 cm: Aplicação quando forem encontradas, no máximo, 40 lagartas pequenas ou 30 lagartas pequenas e 10 grandes por pano de batida.

Pesquisas com A. gemmatalis

Na Pragas.Com buscamos viabilizar as pesquisas agrícolas com A. gemmatalis, para acelerar o desenvolvimento de tecnologias para o controle dessa praga. Para isso, mantemos criação desta espécie em laboratório para fornecimento para estudos com mais praticidade e baixo investimento, bem como demais insumos como bandejas, gaiolas e dieta artificial própria para esta espécie.

 

 

https://www.corteva.com.br/boas-praticas-agricolas/blog/lagarta-da-soja.html

https://www.agrolink.com.br/problemas/lagarta-da-soja_37.html

https://www.corteva.com.br/boas-praticas-agricolas/blog/lagarta-da-soja.html

http://www2.senar.com.br/Noticias/Detalhe/13260

https://www.koppert.com.br/desafios/lagartas/anticarsia-gemmatalis/

https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/182406/1/2018BP02.pdf

http://www.cotapel.com.br/noticia.php?not_id=2356

http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/ABQIbvMGaRe80QG_2013-5-3-15-24-32.pdf

https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11146/tde-20200111-123711/publico/MagriniElianaAparecida.pdf

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