Foto: PakAgriFarming

Você conhece a Mosca-branca (Bemisia tabaci)?

Neste artigo da “Praga da Semana”, vamos conhecer mais sobre esta espécie considerada uma das pragas mais importantes para a agricultura mundial, principalmente para as culturas de tomate, pimentão, soja, feijão e algodão, mas também berinjela, girassol, bico-de-papagaio, batata, entre outras culturas.

Apesar do seu nome popular ser Mosca-branca, trata-se de um hemíptero, cujo nome científico é Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae).

O primeiro registro da ocorrência de B. tabaci aconteceu em 1889, na Grécia, em plantas de fumo. No Brasil, a espécie chegou na década de 1920 e se espalhou rapidamente, sendo que hoje encontra-se em todos os Estados.

A B. tabaci é um inseto pequeno, de aproximadamente 2 mm de comprimento, sendo as fêmeas um pouco maiores do que os machos. Os ovos são de coloração amarela, apresentam formato de pera e medem de 0,2 a 0,3 mm. São depositados de maneira irregular, na parte inferior das folhas. Na fase jovem, passa por 4 ínstares , sendo que o último é chamada erroneamente de pupa, até a emergência dos adultos.

Os adultos são de coloração amarelo-pálida, possuem dois pares de asas membranosas recobertas por uma substância pulverulenta de cor branca. São insetos ativos e ágeis, que quando perturbados voam rapidamente. Quando em repouso, tem a característica de manterem as asas um pouco separadas, paralelas, deixando o abdômen visível.

A B. tabaci possui hábito de se alimentar na página inferior da folha, é altamente polífaga (podendo afetar mais de 40 hospedeiros, algumas literaturas citam até 500) e tem facilidade de se adaptar a novas plantas hospedeiras. Em um ano, pode ter quatro gerações e uma grande capacidade de dispersão, devido a média de 200 ovos por fêmea e também pela ação dispersante do vento. Porém, por se desenvolver melhor em climas quentes e secos, nessas condições o ciclo de vida desta praga é encurtado, possibilitando a ocorrência de até duas gerações em um único mês.

Devido a sua capacidade de se adaptar a novas regiões geográficas com facilidade, no Brasil a presença da B. tabaci tem sido entendida como um problema sistêmico que deve ser cuidado de forma conjunta pelos produtores e instituições, para o uso sustentável dos produtos fitossanitários.

Biótipos

Existem mais de 40 biótipos de B. tabaci distribuídos mundialmente, sendo que no Brasil há dois principais, o biótipo B (também o mais disperso no mundo) e o biótipo Q, estes considerados os mais nocivos. Cada biótipo apresenta um comportamento característico e para diferenciá-los é necessária a utilização de métodos moleculares, já que elas são visualmente idênticas.

Dos dois biótipos principais que ocorrem no Brasil, o biótipo B é o mais comum no país. O primeiro registro de sua ocorrência em território nacional aconteceu na década de 90, no Estado de São Paulo. A B. tabaci biótipo B é uma praga importante em culturas anuais, hortaliças e plantas ornamentais. A espécie apresenta alta fecundidade e capacidade de dispersão a longas distâncias.

Já a B. tabaci biótipo Q é originária da região do Mar Mediterrâneo e teve seu primeiro registro de ocorrência no Brasil em 2013, no Rio Grande do Sul. Pode alcançar altas densidades populacionais e possui alta capacidade de desenvolver resistência à maioria dos inseticidas, que normalmente costumam ser eficientes para controle de B. tabaci. Atualmente também possui presença confirmada em Portugal, Estados Unidos, Guatemala, Reino Unido, Síria, Nova Zelândia, China, Egito, França, Israel, Japão, Marrocos, Holanda e Espanha.

Danos

Em infestações dessa praga, há redução na produtividade da planta e na qualidade dos frutos, causados por danos diretos e indiretos.

Como danos diretos, temos a sucção da seiva de frutos que ocasiona o amadurecimento irregular dos mesmos, redução do vigor da planta, do desenvolvimento vegetativo e da produção das plantas, além de descoloração devido à toxina liberada pelo adulto (ação toxicogênica).

Como danos indiretos, podemos citar a excreção de substâncias açucaradas (honeydew) que recobrem as folhas e favorecem o desenvolvimento da fumagina, que consequentemente reduz a atividade fotossintética da planta. Além disso, B. tabaci é transmissora de viroses que causam graves danos à cultivos agrícolas, como: Tomato golden mosaic virus (TGMV), Tomato severe rugose virus (ToSRV), Tomato yellow vein streak virus (ToYVSV), entre outros.

O biótipo Q é vetor do Tomato yellow leaf curl virus (TYLCV) e Tomato torrado virus (ToTV), espécies de vírus exóticas para o Brasil.

Em soja, os principais danos causados por B. tabaci ocorrem devido a transmissão de geminivírus, caracterizados pelos sintomas de nanismo severo, enrolamento das folhas, intensa clorose e diminuição da produção de grãos

Para o feijoeiro, é transmissor do vírus do mosaico dourado (BGMV) e do mosaico anão. São mais prejudiciais no período do florescimento.

Controle

A melhor ferramenta de prevenção é o Manejo Integrado de Pragas (MIP), onde se monitora a lavoura cuidando para manter um nível de infestação baixo, e somente é aplicado um inseticida se a infestação atingir o nível de controle.

O nível de controle de mosca branca em soja tem sido tema de estudos, mas no momento é considerado 5 ninfas/folíolo e a constatação da presença de adultos e ninfas nas folhas. Já em algodão, o momento de controle se dá com a presença de três ou mais adultos por folha ou uma ou mais ninfas por cm². As plantas selecionadas para amostragem devem ser avaliadas no terço superior.

Devido ao fato de geralmente seu manejo ser feito através do uso de inseticidas, já foram detectadas no país populações resistentes à ingredientes ativos, o que dificulta seu controle.

Em vista disso, recomenda-se a adoção de estratégias de manejo da resistência a inseticidas. Uma das estratégias é instituir um programa de monitoramento da resistência, para a detecção de mudanças na suscetibilidade de populações de pragas aos ingredientes ativos utilizados para controle, lembrando que o manejo da resistência é baseado na rotação dos produtos de acordo com o modo de ação, seguindo as recomendações de aplicação de cada produto. Outras estratégias são: adoção de janelas de pulverização, rotação de culturas hospedeiras e não hospedeiras, vazio sanitário e plantio de refúgio estruturado.

Algumas plantas daninhas que podem hospedar a praga e devem também ter atenção especial de controle são a serralha (Sonchus oleraceus), caruru (Amaranthus viridis L.), joá-bravo (Solanum viarum), corda-de-viola (Ipomoea acuminata), picão-preto (Bidens pilosa), joá-de-capote (Nicandra physaloides) e leiteiro (Euphorbia heterophylla), dentre outras.

Outras formas de controle utilizadas são o tratamento de sementes com inseticidas carbamatos sistêmicos ou sistêmico granulado no sulco de plantio. O uso de armadilhas adesivas de coloração amarela também ajuda a reduzir a população de adultos na área.

O Controle Biológico com o fungo Beauveria bassiana também tem sido utilizado e vem assumindo um papel cada vez mais importante no manejo desta praga, devido as populações resistentes. Os esporos desse fungo, quando em contato com o inseto, penetram na sua cutícula e colonizam os seus órgãos internos, fazendo o inseto parar de se alimentar e morrer, aproximadamente 5 dias após a aplicação.

Outros entomopatógenos que podem infectar de forma natural no campo a B. tabaci são: Verticillium lecaniiAschersonia aleyrodisPaecilomyces fumosoroseus. No grupo de predadores, foram relatadas dezesseis espécies das ordens Hemiptera, Neuroptera, Coleoptera e Diptera. Já entre os parasitoides, os gêneros Encarsia, Eretmocerus e Amitus são os mais encontrados.

É importante a adoção de medidas de controle de B. tabaci que favoreçam o aumento dos inimigos naturais, como as práticas culturais, cultivares resistentes e uso racional de inseticidas.

 

 

Pesquisas com Bemisia tabaci

A B. tabaci é uma das espécies do portifólio de hemípteros da Pragas.Com, junto com outros insumos como armadilhas, gaiolas e bandejas para experimentos. Nosso objetivo é
fornecer insumos para viabilizar e acelerar a descoberta de novas soluções para o controle adequado deste inseto no campo.

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Este artigo teve como referências:

https://www.agro.bayer.com.br/alvos/mosca-branca
https://www.agrolink.com.br/problemas/mosca-branca_249.html
https://www.irac-br.org/bemisia-tabaci
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-16572013000200003
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-70542009000500009
https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Tomate/TomateIndustrial_2ed/pragas_mosca.htm
Nova mosca branca é encontrada pela 1ª vez em MT
http://ballagro.com.br/2020/04/16/mosca-branca-uma-das-principais-pragas-da-agricultura/

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